sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O JAIR QUE HÁ EM NÓS


O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército excluído da corporação em cuja estadia teria inclusive participado de organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência... em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. Como aquele desejo do menino piromaníaco que era obcecado pelo fogo e pela ideia de queimar tudo a sua volta, reprimido pelo controle dos pais e da sociedade. Reprimido por anos, um dia ele se manifesta num projeto profissional que faz do homem adulto um bombeiro, permitindo-lhe estar perto do fogo de uma forma socialmente aceitável.

Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo.

116 comentários:

  1. Só li hoje. Mas o texto é ainda mais atual.

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  2. Excelente texto!!

    Esse texto tem sido divulgado no Facebook, indicando o Marcio Sotelo Felippe como autor, porém ele mesmo no perfil dele avisa que você é o autor original.

    Compartilhei seu texto dando os devidos créditos e link pro seu blog. Espero que não tenha problema, se tiver eu retiro. :)
    abraços

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    1. Recebi pelo whatsapp como sendo da autoria do Prof. Ivann. Adorei o texto. Foi buscar no Google algo sobre Ivann Lago e encontrei o Blog. Texto maravilhoso!!

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    2. Eu também o fiz, e acabo de ler o texto neste Blog. Muito bem definido Prof.Ivann. Consigo entender melhor as reações de pessoas que me circundam, inclusive parentes.

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  3. Maravilhoso.Vamos lêndo e ao mesmo tempo passa do um filme desta louca realidade que estamos vivendo

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  4. Análise maravilhosa.
    Parece que foi escrito nas últimas semanas.

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  5. O texto é longo.
    Mas como retratar nossa miséria intelectual em poucas palavras?
    Parabéns pelo texto, assino embaixo!
    Vou tomar a liberdade de compartilhar.

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  6. Excelente análise. E eu saindo da fase de negação...

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  7. Que maravilha! Li esse texto hoje no Facebook. Muito obrigado! Não te conhecia, nem a Uff. Vou acompanhar teu blog. Grande abraço.

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  8. Ótimo texto, parabéns!!

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  9. Nunca havia pensado nesse "Brasileiro médio" sob essa ótica ... chocada!

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  10. Texto excelente.
    Mesmo sendo sucinto, o texto mostra de forma clara o perfil daqueles que ainda insistem em apoiar Bolsonaro.
    O problema é mais do que político, é psico-emocional.
    Parabéns!

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  11. Muuuuuito esclarecedor. Agora começo a compreender por que pessoas tão caras minhas "brasileiro médio" conseguem defender o "mito" 😱

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  12. O texto mais esclarecedor sobre o que estamos vivenciando hoje! Parabéns!




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  13. Excelente texto! Tenho feito essa reflexão, falado e postado isso. Mas você aborda de forma mais profunda e didática! Obrigada!

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  14. Excelentes texto! Creio que há uma outra questão ainda mais importante a ser respondida. Como mudar o ponto de vista do "brasileiro médio" no futuro? É fácil dizer que precisamos melhorar a educação, mas qual é o melhor caminho para chegarmos lá? Obviamente, o mesmo problema ocorre com o Trump. Como acabamos com esta ignorância?

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  15. A melhor e mais precisa descrição de quem são os bolsonaristas! Perfeito!

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  16. O romance de Albert Camus, A peste, termina com a mesma imagem. A peste, isto é, o nazismo se esconde no esgoto, nos porões, mas Camus avisa o leitor: Atenção! Cuidado, eles não morreram, a peste não acabou, apenasse escondeu-se, refugiou-se nos porões, nos esgotos, à espera do momento de reaparecer com toda a sua virulência e maldade..

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  17. Excelente texto! Parabéns!gostaria de saber sua opinião sobre essa igreja que ele defende e seus líderes;pois cultuam toda essa mediocridade.

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  18. Grande texto! Dois meses e pouco depois de produzido, só cresceu em atualidade!! Muito obrigada!!

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  19. Há tempos não via um texto tão bem escrito, tão pungente, tão acachapante, tão fiel ao atual (e dantesco) cenário político-social em que vivemos. Todo o texto é irrepreensível, a denunciar cirurgicamente a Perversidade, dantes reprimida, mas agora extravasada (ou vomitada) pelo "homem médio" que vê num celerado o espelho da própria imagem.
    Sempre que deparo com pessoas ou coisas inteligentes, fico de pé e aplaudo com entusiasmo. Parabéns!

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  20. Excelente texto!
    Foi na mosca tudo o que gente quer falar para esses seguidores do "Seu" Jair.
    Parabéns!

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  21. Parabéns! Não vou me repetir nos elogios, mas fiquei curiosa ao ler o Balaio do Kotscho, que fez menção a seu artigo, e vou passar a segui-lo. Análise inteligente e precisa desta figura deplorável que temos como presidente. Nunca pensei que chegássemos a essa mistura tóxica, de ódio, cegueira, mediocridade e pobreza intelectual e o pior é que pessoas que pareciam ter algum esclarecimento, hoje o aplaudem.

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  22. Muito bom o texto!!! Estava com este sentimento a vários meses, mas agora suas palavras clarificaram e definiram esse comportamento reacional do brasileiro médio. Infelizmente não é só no Brasil que há tantos "Humanos médios". Recomendo fortemente o filme alemão Er ist wieder (Brasil: Ele Está de Volta ) de David Wnendt.

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  23. Ivann, demorei para encontrar o seu blog (vim através do balaio do kotscho) porque digitava Ivan com um n só.O teu texto coloca tim tim por tim tim a razão pela qual desde 2012 tive que jogar muita coisa da minha vida de pernas pro ar pra depois sair separando, no meio da bagunça, o que eu quero daquilo que eu rejeito. Nessa peneirada, que levou uns 5 anos, rolou divórcio, mudança de profissão e vários bloqueios físicos e digitais. Mas o principal de tudo isso - e que o teu texto coloca já no título - é reconhecer as atitudes rejeitadas EM MIM e, a partir disso, renunciar a elas. Profunda, importante e diária reflexão.

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  24. Vi a indicação do seu artigo na matéria da UOL e pesquisei no Google. Sou de Valinhos SP e não o conhecia. Fico feliz que tenha feito o blog e vejo como de extrema importância a divulgação do seu trabalho! Você conseguiu colocar em palavras o que percebidos na sociedade, mas sem condições de descrever... Parabéns!!!

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  25. Perfeito. Definiu com precisão.

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  26. Cheguei ao blog depois de ler o artigo do Kotscho. Parafraseando Milton Nascimento, suas palavras "cabem tão dentro de mim, que perguntar carecem como não fui eu quem fiz?" Só permita-me discordar em um ponto. Talvez você esteja subestimando o poder de mobilização do atual inquilino do Planalto. Um terço do eleitorado, conforme mostram as pesquisas de opinião, são aqueles que têm a coragem de continuar externando apoio mesmo depois de todas as aberrações produzidas nesse um ano e pouco. Existe uma outra parcela de brasileiros que não tem coragem de assumir publicamente o lado Bolsonaro, por razões diversas. Tenho, porém, convicção que se trata de uma massa quase tão representava quanto essa, senão maior. Afinal, o que não falta nesse país é gente dissimulada.

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  27. Contundente! Sintetiza uma percepção que cada um de nós gostaria de enunciar! Só estranhei a figura do bombeiro derivando do jovem piromaníaco.

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  28. Muito bom o texto! Lembro quando durante a eleição, infelizmente, descobri vários Messias convivendo em meu meio. Pessoas que deixaram aflorar o que de pior existe no ser humano... Mas que antes mantinham, preso em algum lugar da consciência, o monstro do preconceito, racismo, intolerância, indiferença entre outros... Porém hoje, embora não imaginasse que seria possível, o monstro está a solta e são muitos. Desta vez chancelado pela autoridade política maior do nosso país.

    Vale ressaltar que também tenho minhas mazelas interiores... Porém, assim elas permacem e travo minha luta diária para que nunca sejam maiores que a empatia pelo próximo.

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  29. Parabéns! Um dos melhores textos que já li sobre esse sombrio capítulo que estamos vivendo.

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  30. Olá, Ivan. Me questiono qtos por cento da população vc acredita q tem esse perfil. A depender da resposta estamos destinados à barbárie. Ou não?

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    1. Ora... da mesma forma que com o "politicamente correto", há muitos que agora dizem discordar ou mostram indignação porque há pressão para isso. No fundo, no fundo se alinham com as idéias, embora possam discordar dos métodos. E existem muitos que, dói dizer, são apenas isso mesmo que mostram e por isso continuam apoiando.

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  31. Parafraseando Cartola: "O mundo é um moinho e vai reduzir as nossa ilusões a pó". E com este pseudo-presidente as nossa ilusões de um país melhor e mais justo, realmente sumiram na poeira, na poeira da nossa ignorância, do nosso desamor para com os nossos semelhantes. Neste texto, IVANN, vem nos lembrar o quão distante estamos das expressões "Humanidade e Sanidade" e estamos bem próximos alquimia "Histérica da Coletiva. Um texto clarividente.

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  32. Cada povo merece o governonque tem!!!!

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  33. Achei o blog após ler a coluna do Ricardo Kotscho, síntese é perfeita, conforme a leitura avança as lagrimas correm, pela percepção da realidade.

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  34. um excelente texto, esse Jair só estava adormecido!

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  35. Arrepiei! É exatamente isso e você colocou em suas palavras. Irei compartilhar pondo seu nome e o link para a matéria inteira.
    Parabéns por sua nitidez.

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  36. Parabéns pela clareza de análise. Só gostaria de colocar que, como aprendi com um advogado há um bom tempo, as leis, numa democracia de direito, não são imposições de cima para baixo - do governo em relação à população. Ao contrário, elas são fruto do anseio e da pressão popular. Nesse caso, leis contra o racismo, proteção da mulher e inclusão de direitos só são criadas a partir da aprovação de uma parcela da população. São desejos dessa população, o que indica que nem tudo está perdido para os brasileiros. Além disso, pela experiência que tive quando morei na Suíça há mais de 30 anos, não há organização sem repressão da lei. Um país tão organizado como esse só consegue isso porque, por exemplo, as pessoas recebem muitas por urinarem na rua e, mesmo assim, há suíços que urinam. O que me leva a pensar que a natureza humana não é das melhores.

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  37. É muito bom nos depararmos com texto desta envergadura, elucidativo e que nos faz pensar que futuro nos espera nestes tempos tão conturbados. Mas acredito, como a historia nos mostra, superaremos não sem luta, pois é preciso resistir. Parabéns, e continue nos brindando com estes textos.

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  38. É doloroso, mas nunca li tantas verdades!

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  39. É triste, mas "é tudo verdade"

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  40. Na mesma linha deste texto, porém não tão sucinto, estão os livros do Jessé de Souza (sociólogo e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de títulos: "A elite do atraso - da escravidão à lava-jato", e "A elite do atraso - da escravidão ao Bolsonaro".

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  41. Obrigado pelo texto, que não me fez sentir tão só nesta nação. Como dito por uma leitora, "é doloroso, mas nunca li tantas verdades!"

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  42. Prezado Ivan.
    Parabéns pelo artigo e reflexão. Permito-me ousar a responder aqui a pergunta que você faz ao final: “A questão a ser respondida é como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo.”
    A resposta que encontro para essa pergunta é o distúrbio na estrutura do comportamento social nomeada por W. Reich como PESTE EMOCIONAL.
    A peste emocional é uma espécie de vírus que todo ser humano traz consigo e que emerge e se dissemina com maior intensidade nos momentos de crises sociais e econômicas. Ela fica ainda mais intensa quando a sociedade se faz refém de suas próprias escolhas ao colocar-se sob a liderança de um líder populista e/ou tirânico disfarçado de boas intenções, de ajuda à sociedade.
    Neste contexto e cenário, esse vírus afeta diretamente as interações vitais das pessoas em todos os segmentos e atividades.
    Sim, a comoção e a convulsão social oferecem as melhores condições para sua disseminação, porque os infectados se sentem “autorizados” por seu líder a “combater o mal” com o desprezo e destruição de vidas.
    Aglutinados em círculos sociais, a peste emocional se manifesta sobretudo por opiniões públicas de intolerância em relação a tudo o que é amor natural. Tornam-se conhecidos e temidos. Suas punições golpeiam toda manifestação amorosa sob falazes pretextos ‘culturais’ ou ‘morais, acionando um elaborado sistema de difamação e delação.
    Pior, os contaminados por essa peste/vírus gradativamente vão se distanciando do cultivo de relacionamentos sadios e do peso de muitas vidas humanas em suas consciências.

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  43. O texto é muito bem colocado, porém também não podemos esquecer que de certa forma a rejeição ao PT foi um dos 'ingredientes' que ajudaram JB a se eleger. Talvez sem esse fator ele nem se elegesse

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    1. Perdão, não justifica a ignorância e a falta de EDUCAÇÃO. Dá-lhe tiririca.

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  44. Texto maravilhoso e claro. Constatações mais que verdadeiras e que doem.

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  45. Texto maravilhoso. Obrigada. Constatações verdadeiras e dolorosas.

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  46. Esse processo levará mais do que décadas pra ser entendido. Levará séculos, pois ele irá continuar. O mesmo brasileiro médio e seu lado obscuro elegeu Lula e Dilma, a outra face da moeda.

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  47. Perfeito! Me elucidou muitas dúvidas!

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  48. Que análise! Parabéns pela visão e clareza, e obrigada por compartilhar. Vou enviar pra muita, mas muuuuita gente.

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  49. Gostei de sua análise, vou divulgá-la. Mas sugiro que você pesquise e retifique uma coisa: Bolsonaro é capitão da reserva, não foi expulso do Exército. Ele foi "excluído" (expulso) da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e depois processado, mas o Supremo Tribunal Militar o absolveu em última instância em 16/06/1988. A expulsão do Exército é um boato, uma notícia falsa muito divulgada, mas a situação jurídica de Bolsonaro perante o Exército é capitão da reserva. Quanta à sua análise, como eu disse, gostei muito.

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  50. É necessário, também, por parte das esquerdas uma análise melhor da situação. Deixo, como contraponto bem interessante, esse texto: https://revistacult.uol.com.br/home/o-lado-pragmatico-do-bolsonarismo/

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  51. Excepcional! Ótima análise e retrato de nossa sociedade.

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  52. Excelente texto.Sugiro fazer uma análise sobre o que leva também a utopia de muitos com relação ao Lula, pois ele também é outro personagem que foi eleito não só pela população média, haja vista que também foi como o salvador da pátria na época em que foi eleito e muitos ainda o consideram se, mesmo diante de provas e mais provas de que não passou de outro articulador político,visando seus próprios interesses.

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  53. Realmente...caminho sem volta. Este Jair está dentro de todo brasileiro sem exceção, e acredito que no mundo inteiro. O que fazer? Isso é interior de cada um. Não basta ler e comentar. Se serviu como alerta e realmente entendeu, mude agora. Mais agora mesmo e descubra outros Jair dentro de você. Deus tenha misericordia de nós, se é que acreditamos nisso também.

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  54. Texto com precisão cirúrgica! Mas seria necessário desenhar para o eleitor bolsonarista entender. E ele não vai entender...

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  55. E sim, este brasileiro médio somou-se à conta dos + de 50% daqueles que elegeram o " médio mor"... A Democracia como está aí permite assim, infelizmente!

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  56. Te respondo: desde os primórdios se mantém no comando do país uma oligarquia q nunca abriu mão de seus privilégios. Por aqui nunca se pensou em igualdade, salvo exceções, tt q temos uma distribuição da renda das mais desiguais do planeta. O Brasil ainda não se livrou do estigma das capitanias hereditárias. Casa família privilegiada tem seu cadinho pelos 4 cantos do país. E ao q tudo indica, ngm elite não deseja mudar esse padrão. A idiotice nesse sentido é tão grande, q não se percebe, ou não se quer perceber, q qt mais desigual o povo, pior pra todos. Ostentação um dos piores índices de criminalidade do planeta.Pq será? E de quebra ainda se tenta prosseguir com a implementação de uma política neo-liberal surgida na década de 70, q pode dar certo por lá onde ela foi inventada, mas qpor aqui não dá, num país rico, é fato, mas com um povo tão pobre. Isso sem falar na corrupção escancarada, q cega o povo, induzindo-o a perceber as instituições democráticas como nefastas. Por tudo isso, seria um milagre o brasileiro ser diferente. Taí o Jair dentro de cada um de nós. P.S.: não votei nele.

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  57. JURANDIR ALVES DE OLIVEIRA9 de maio de 2020 10:51

    A causa de este "brasileiro médio", que poderia ser denominado de "bolsonarista" existir está, entre outros fatores,na educação de baixa qualidade humana, que retirou as disciplinas de filosofia e sociologia por muitos anos, além da ideologia capitalista navegar livremente com a queda das nações comunistas e socialistas.

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  58. Parabéns Ivann... A melhorar análise de conjuntura que poderia ter lido até hoje. Compartilhado e divulgado onde posso. Grande abraço e obrigado.

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  59. A mais perfeita descrição do circo de horrores que se tornou o Brasil no comando do mitomaniaco.

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  60. "Esse texto não pode ter data de publicação". Eterno, enquanto estivermos por aqui. Parabéns.

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  61. Excelente, Ivann! Essa é a verdade nua e crua do que estamos vendo. Excelente. Gratidão por compartilhar! Abs.

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  62. Texto excelente e verdadeiro... Claro, sem pragmatismo algum. Pra falar a verdade, jamais havia pensado no Brasileiro Médio dessa forma. Sem negar também que os desmandos e roubos de outros grupos fizeram com que esse homem crescesse...

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  63. Excelente, visão, dói, mas dói menos que a realidade que estamos vivenciando

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  64. É ISSO!! eu nem sou de comentar, dar opinioes na internet, mas vim aqui dar os parabens pelo texto, q eu achei em algum lugar e com link para esta pagina, voce conseguiu descrever muito bem em palavras aquilo que tenho pensado e observado sobre esse momento, bem claro e didatico. Parabens!

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  65. Parabéns pelo texto, infelizmente retrata claramente a nossa realidade atual.

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  66. A análise faz muito sentido, tem lógica. Mas dá um misto de tristeza e medo!

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  67. Gostei do texto,mas dá medo de pensar na sociedade assim. Concordo com cada vírgula e tenho esperança de não ser nada disso.

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  68. Parabéns pelo texto. Excelente. Uma radiografia precisa e triste do que nos tornamos.

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  69. Texto inteligentíssimo que fala sem frescuras aquilo que verdadeiramente permeia o pensamento do brasileiro médio. Sensacional.

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  70. Algo que sempre tenho expressado é: desde quando e como o politicamente correto se tornou algo abominável? é uma lógica absurda e incompreensível

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  71. Realmente,chega a ser doloroso ler uma verdade tão clara. Vamos em frente, sem calar.

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  72. Como Português e que sinto o fracasso politico económico e social do Brasil,o que me custa como se fosse o meu pais embora nunca ignorei e sinto prazer social em termos grandes ligações com muito valor praticamente como povos irmãos,reconheço no Brasil a sua grandeza a sua riqueza natural podia e devia ser uma potencia mundial,revejo-me completamente no teixo

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  73. Ótimo texto. Gostaria de ressaltar que vivemos um estado de total descredito político, um nos motivos que conduziram Jair ao cargo maior de um país esta no fato estrondoso de 50 milhões de votos perdidos, entre brancos, nulo, ou abstentes. Jair foi eleito com 57 milhões de um total de 154 milhões de eleitores.

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  74. Ótimo texto. Resalto aqui números. 57 milhões foi o número de votos de Jair, não representando a maioria esmagadora de eleitores, pois somo 154 milhões de eleitores. Fato infeliz foi o número de votos perdidos entre brancos, nulos e abstenções. Dessa forma deixo esse ponto hiper importante, é preciso fazer algo nesse campo da descrença política.

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  75. Parabéns pelo texto!!! Acho que José Ingenieros, no seu livro Homem Medíocre, escrito em 1913 acrescentaria alguns capítulos se escrito fosse."O homem medíocre é uma sombra projetada pela sociedade; é, por essência, imitativo, e está perfeitamente adaptado ara viver em rebanho, refletindo rotinas, preconceitos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade” (pág 58)

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  76. Parabéns pela análise Ivann! Precisa, profunda e com ramificações por toda a identidade nacional.

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  77. O melhor texto que li até agora para entender as razões do brasileiro médio apoiar e continuar apoiando Bolsonaro. Esse texto merece um prêmio de literatura! Fantástico!

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  78. Muito bom o texto. Retratou com exatidão uma parte do obscurantismo do "brasileiro médio", digo uma parte, pois o "brasileiro médio" tem outras partes obscuras que também encontraram representatividade no passado recente. Em suma, o "brasileiro médio" é dividido (vê o diferente e sente o próximo como inimigo, escolhe um lado e não tem maturidade para o diálogo); infelizmente, é mal educado, mal assistido, mal instruído, manipulado e f*Dido; o "brasileiro médio" é uma faca de dois gumes.

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  79. Hoje 20 de maio e seu texto é de lascar.
    É em muitos trechos o que eu já pensava mas colocado em ordem.
    Virei fã.
    Parabéns!!!

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  80. Vc fez o trabalho de um filósofo: Sintetizou o que sabemos, mas não conseguimos expressar.
    Acho que esse texto funciona como um espelho completo para 1/3 da população.
    O texto não é só bom porque tem vocabulário fácil, porque temos que concordar com, mas porque contém uma verdade simples e não tem como contrariá-la.
    Parabéns!!

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  81. Excelente texto!
    Análise perfeita do que vivemos hoje.

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  82. Perfeito!! Parabéns pela análise clara, objetiva e fiel a realidade!

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  83. Como ouvi recentemente de um palestrante: o lado bom do governo Bolsonaro é que ele revelou quem realmente o 'brasileiro médio' é. Queiramos ou não, grande parte de nossa população é isso aí. Brasileiro cordial? Não! Fascistas, racistas, homofóbicos, anticientíficos, apedeutas, misóginos... sim!

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  84. A mais perfeita análise dos adoradores do mal que, ainda, não foi extirpado do Brasil. Realmente, um terço dos Brasileiros tem o DNA das piores heranças genéticas dos colonizadores, se temos dois terços de habitantes com moral e dignidade melhorados é graças ao DNA dos Negros e Indígenas dos primórdios, e nos longos 520 anos alguma boa mistura vinda de Países geneticamente melhorados. Porém, entre esses deformados existem os idiotas que seguem a onda, por não saberem nadar, principalmente Mulheres. Parabéns por sua perfeita leitura do Jair que "não há mim, pois estou entre os que jamais apoiaria um ignóbil.

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  85. E o mais triste de tudo é constatar que esse "brasileiro médio" é quem íntegra todos os setores da sociedade. Íntegra, inclusive, o executivo, o legislativo, o judiciário e a imprensa. E esses que fazem parte das esferas mais elevadas, quando não tem seus desejos mais individuais atendidos, são os que mais se revelam, "BRASILEIRO MÉDIO". Basta observar os discursos e atitudes.

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  86. Bingo, na mosca, Ivann. A melhor análise que já li sobre o buraco em que o Brasil está encalacrado.

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  87. Nuuuuuuu arrasou. Falou tudo. Parabéns!

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  88. Recebi o texto por WatsApp e fui buscar por seu nome no Google encontrando o Blog. Parabéns, muito bem definida a situação que estamos vivenciando, começo a compreender melhor aqueles que me cercam,não sou eu a ET...

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  89. Pior do q ter um presidente merda desses é supor q "a média" do brasileiro seja da mesma laia. O brasileiro médio é melhor que esse jumento de presidente.

    Não dá para fazer uma análise centrada em questões laterais (ofensas verbais a minorias) e deixar de lado o massacre econômico dos pobres em favor de meia duzia de bilhonarios, a destruição que está sendo feita da saúde e educação pública e do estado como um todo. O brasileiro médio não quer nada disso.

    Outro ponto q passa batido é, se existe uma extrema-direita minoritária, porém barulhenta, q se opõe à reivindicações do identitarismo, essa extrema-direita é um fenômeno mundial e não uma jabuticaba como o texto faz acreditar.

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  90. Esse texto foi recomendado por uma pessoa que respeito muito!
    Discordo de quase tudo que foi escrito, mas respeito sua opinião, e desejo que continuemos tendo o direito de expor nossas opiniões e idéias.
    Parabéns!

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